Rosa minha irmã Rosa, de Alice Vieira

Publicado em 22/02/2010

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      O livro Rosa minha irmã Rosa, de Alice Vieira, centra-se nos conflitos de uma criança de 9 anos, provocados pelo nascimento de uma irmã, transmitindo, ao mesmo tempo, sensações diversas relacionadas com o seu crescimento no seio da família. A narrativa retrata o período de transição da sociedade portuguesa, no pós 25 de Abril, em que a presença de diversas figuras femininas de avós, tias e primas, ocupam espaço e tempo da vida da Mariana, a protagonista, mais tempo do que os próprios pais, naturalmente preocupados com a nova filha recém-chegada, situação geradora do conflito, que será ultrapassado no final do livro, e que provoca distanciamento na sua relação com a irmã.


      A intenção de chamar Lídia à irmã tem a oposição de Mariana, não disposta a partilhar a avó com o mesmo nome, já falecida, uma presença muito marcante na sua vida, assim como de outras figuras femininas da mesma geração, a avó Elisa, a tia Magda, a tia Emília e a prima Isaura, representantes de um mundo em extinção. Dessas figuras e desse mundo surgem histórias fantásticas em simultâneo com as vivências diárias da Mariana, todas contribuindo para a qualificação da narrativa. São as histórias da avó Lídia, os belos sonhos de Mariana, a história do peixe Zarolho e as interpretações da vida e do mundo que enriquecem e apaixonam quem lê e se envolve com a narrativa. A história termina bem, com uma doença súbita de Rosa a permitir a aproximação de Mariana e a consciencialização dos seus pais em relação ao seu espaço na família, de partilha de afectos.


      Apresenta uma linguagem rica, com muita fantasia (os sonhos de Mariana são muito interessantes, veja-se o sonho da matemática – cap- 11) e as ilustrações de Henrique Cayatte, no início de cada capítulo, sem constituírem uma narrativa gráfica, tornam o livro mais apelativo. Há conflitos e contradições que reflectem os limites da normalidade, ao mesmo tempo que evitam uma transmissão infantil, sem deixar de se orientar a narrativa para um público infantil. O leitor-jovem encontra respostas às suas dúvidas, aos seus porquês.


      Alice Vieira consegue uma linguagem adequada ao entendimento do leitor, com uma visão realista do universo da criança.

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